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Análises

27/11/09 - Comentário Econômico

       A crise veio e achamos que os problemas nunca acabariam. Os governos ofereceram crédito e salvaram diversas empresas e bancos com recursos baratos e sem muitas perguntas. Os capitães de empresas acharam que elas eram grandes demais para quebrar e os governos tinham obrigação em ajudá-los, afinal, quem gostaria de uma grande depressão a sua porta.

 
       Algumas empresas se aproveitaram de crédito farto e taxas muito baixas e começaram a comprar commodities para estoque, pois com essa ajuda as economias iriam se recuperar rapidamente e sairiam da recessão em pouco tempo. 
 
      No intuito de não atrapalhar a recuperação, os controles de crédito e de movimentação de capitais ficaram em segundo plano, propiciando o crescimento muito rápido de algumas cotações de commodities e a das bolsas de valores em todo o mundo. Damos o nome de bolha para esse evento, pois a aparência de algo crescendo inflado por ar soprado, pode explodir sem aviso.
 
       Fico imaginando a preocupação e a ansiedade dos diretores financeiros das empresas e dos bancos observando os números do desemprego, da confiança do consumidor, da utilização da capacidade instalada, da inflação e dos resultados das empresas abertas quando divulgaram em seus balanços, esperando o grande lucro que viria a contemplar a estratégia de investimento realizada recentemente, o grande crescimento da demanda dos consumidores por aquele produto, enfim o grande número que indicaria que as coisas estavam no caminho certo.
 
       Os resultados vieram melhores, mas nada digno da angustia sofrida na véspera. Ainda serão necessários novos estímulos e a continuidade dos anteriores por mais algum tempo, muito tempo.
 
      O que vimos acontecer em Dubai era uma história com final já contado, ninguém deveria se surpreender muito com isso, ou não sabemos que um dia teremos que pagar a conta do cartão de crédito? Bem esse dia chegou e a nossa conta esta zerada.
      
      Outros problemas desse tipo devem acontecer ao redor do mundo, influenciando os mercados seja pelo aspecto negativo que esse assunto aborda, seja no aspecto positivo da continuidade dos estímulos governamentais, mas devemos sempre lembrar que não há almoço grátis.
 
      Continuamos muito otimistas com o Brasil, acreditando que fomos menos afetados pela crise e nossa recuperação foi empolgante, porem não podemos fechar os olhos ao que acontece ao nosso redor, afinal não somos auto-suficientes e boa parte de nossas ações em bolsa de valores são de empresas exportadoras de commodites.
 

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