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Análises

15/06/09 - Comentário Econômico

Com a última queda dos juros básicos pelo BACEN, chegamos aos 9,25% ao ano. Em função do impacto desta taxa, a mais baixa da história econômica recente do pais, precisaremos alterar alguns padrões até então pragmáticos.

Os fundos de investimentos em renda fixa ou DI tidos como porto seguro nos últimos anos, passam a concorrer com a poupança e dependendo da taxa de administração desses fundos, poderão perder feio em rentabilidade para a poupança. Caberá aos bancos alterar as taxas ou ao BACEN alterar ar regras de cobrança de IR para, pelo menos, equilibrar as rentabilidades.

Aos devedores, a nova taxa é muito bem vinda, trazendo uma redução nas prestações indexadas ao CDI, mas e quem deve em taxas pré-fixadas? A estes vale uma boa conversa com os credores no sentido de tentar renegociar as taxas pactuadas. O devedor também pode antecipar o pagamento da dívida, desde que consiga uma nova dívida com redução dos juros se aproveitando da redução da SELIC.

Aos investidores da Bolsa de Valores que nesse semestre ganharam muito com a valorização das ações apesar do desempenho pífio das empresas, minha sugestão é que ponham parte dos lucros pra dentro do bolso e pesquisem novas ações para começar uma nova carteira. Uma nova carteira baseada nessa nova taxa de juros e no desempenho de setores que terão uma performance positiva com essa redução da SELIC: empresas que dependem de crédito para crescer como o ramo imobiliário, empresas que tem parte de suas dívidas indexadas em CDI como o ramo de saneamento e energia, e empresas que comercializam produtos com utilização mássica de crédito como comércio e varejo.

Algumas empresas já deram noticia que pretendem retomar a captação de recursos via mercado de ações o que pode ser interessante pra quem quiser comprar mais barato, pois essas empresas estão se aproveitando da ótima valorização nesse semestre para captar mais recursos em ações.

O outro lado da queda dos juros no Brasil é que a maior parte da valorização da bolsa e da queda do dólar veio de investidores externos que entraram aqui para aproveitar nossas altas taxas e empresas desvalorizadas. Com a queda da taxa SELIC, poderemos ter alguma fuga desses valores, uma realização de lucros, e um quadro de confusão, com muito sobe e desce das cotações no curto prazo, mas esse é um período de oportunidade para acumulação e construção de novas carteiras.

Nossa aposta para o BOVESPA no final de 2009 pode ser alterada pelas atuais condições de mercado, em recuperação moderada, crescendo dos 50.000 pontos propostos, mas precisamos de novas indicações para refazer os números.

Mário brescancini Bello - Economista
mario@soloinvestimentos.com.br
Fone: 11-3266-6534
 

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