BH 31 3582.0188 | SP 11 3415.0012

Análises

08/05/09 - A recente alta

       A recente alta da Bovespa ocorrida em abril trouxe alguns relatórios indagando sobre a qualidade desse movimento. A maioria deles discursava sobre como a bolsa alcançou esse patamar em pouco tempo mesmo com o mercado em crise, ou pelo menos ainda em estado de alerta.
      Acho que tenho algumas respostas para isso:
       - Os recursos vindos de fora do país tem como comparação de risco ou custo de oportunidade juros muito baixos. Nos EUA 0,5%, no Japão 0,25% e na Europa 3% ao ano, então por que não arriscar.  A crise que se abateu nos países desenvolvidos é diferente da crise que se abateu nos países emergentes. Os países desenvolvidos estavam alavancados em crédito pessoal, nos imóveis, nos cartões de crédito, enfim a alavancagem dominava, então eles estão se ajustando e reduzindo para patamares mais baixos, downsizing, o que gera o desemprego e a recessão. Enquanto isso nos países emergentes, o crédito havia crescido, mas ainda era pequeno.
      Podemos pensar que o investidor americano tem alguma desconfiança nas empresas de lá, como montadoras de carros e bancos e que talvez não queiram colocar seu suado dinheiro em bolsos furados, então se voltam para o mercado emergente e o Brasil se destaca.
      - Para os recursos internos, os analistas de mercado tanto internos como externos, vem analisando a crise e “determinando” que o pior já passou, que as medidas que os bancos centrais tomaram liberando recursos públicos para empresas privadas e para os bancos começaram a reduzir o impacto da crise. Entendo que os investidores tomaram as informações como certas e começaram a comprar ações. Se a crise vai passar no segundo semestre ou no começo de 2010, pouco importa, pois o preço atual esta pelo menos 30% abaixo do teto alcançado em maio de 2008. 
      Os investidores que não estavam comprados em 2008, não participaram nem das altas e nem da queda do mercado, devem estar de olho nos preços atuais e com grande intenção de compra, principalmente para uma taxa de juros baixa que se avizinha, isto é, o risco de aportar recursos em um ativo que pode se valorizar mais de 30% em comparação ao um juro de 9%/10% neste ano, atrai cada vez mais os investidores, impulsionando o rali recente. Os investidores que estavam comprados e penaram com a queda brusca dos papeis, olhando para o mercado recente, creio eu que não estão dispostos a vender, esperando o retorno a valores mais elevados, portanto não vendem, fazendo o mercado pagar mais.
      - Implicações negativas para as empresas dos países emergentes foram citadas para explicar o que poderia ocorrer, mas basicamente envolvem a possibilidade dessas empresas dos países emergentes não conseguirem compradores para os seus produtos como minério, soja, carne e etc., e assim também caírem em recessão.
      Poderia listar outros fatores, mas acho que estes são suficientes para explicar o atual rali. Quanto aos comentários de alguns analistas, acho que é choro de não posicionado que perdeu o rali.
      Portanto se o seu posicionamento for de médio/longo prazos, uma compra nos patamares atuais pode ser interessante.

Mário Brescancini Bello
Economista e Gestor
mario@soloinvestimentos.com.br

Atendimento Online

Bovespa CVM Banco Central do Brasil CBLC Desenvolvido por W3Vision