Acreditamos que o processo de falta de confiança nas instituições, ocasionada pelo efeito devastador das operações de sub-prime, apresentou sua cara nos balanços de 2008 divulgados recentemente.
Os sucessivos pacotes financeiros e legislações que permitiram alguma salvação ou sobrevida às empresas terão suas eficácias testadas ao longo de 2009, com boas e poucas chances de acerto, é ai que entra a segunda onda.
Quais empresas conseguiram reunir forças para sair do lamaçal? Quais setores que foram beneficiados com empréstimos jumbos conseguiram equilibrar as contas e apresentar algum número positivo?
Acreditamos que os números de capacidade instalada na indústria americana, que alcançou 69,5% em março/09, são um bom sinal para o que possa vir pela frente.
Essa segunda onda poderá tirar de cena as empresas menos qualificadas que abusaram de recursos de terceiros e investiram com retornos insuficientes, como uma verdadeira seleção natural Darwiniana, eliminando assim os doentes e fracos para que os fortes sobrevivam e prosperem.
Com a redução drástica de investimentos por parte de algumas indústrias, poderemos ter em curto/médio prazos uma planta mais equilibrada e empresas mais fortes, talvez com menos concorrência predatória, significando um maior valor às empresas sobreviventes.
Portanto, acreditamos numa nova rodada de fusões e aquisições aqui e mais fortemente no exterior como forma de adequação às novas exigências do mercado.
No Brasil, o fator mais importante para impulsionar os negócios é a possibilidade de uma taxa de juros muito baixa para os nossos padrões contemporâneos, mas com a queda da concorrência poderemos ter algumas surpresas com inflação de curto prazo. Nossa indicação para a inflação de 2009 é que o IPCA fique abaixo de 4%, permitindo uma queda nos juros.
Mário Brescancini – Economista
mario@soloinvestimentos.com.br
