Nos últimos dias estamos vendo o resultado dos esforços e estímulos fiscais dos países sobre as economias afetadas pela crise financeira denominada sub-prime.
A melhora das economias não se dará de forma homogenia, podendo ser muito positiva para alguns setores, como negativa para outros. Tudo dependerá do poder de reação das empresas desses setores em reduzir os preços de seus produtos e serviços, em conseguir aumentar as estagnadas vendas, em reduzir o custo de produção, enfim, tudo vai depender do poder de negociação dessas empresas e da sua renovação como empresa.
Renovação é o processo de entendimento e modificação da realidade a nossa volta. De uma economia com vigor, com demandas certas e preços ascendentes para uma economia vagarosa, recessiva, com preços descendentes e concorrência ferrenha.
Entre outros problemas que podemos encontrar no pós crise, é a necessidade de honrar compromissos financeiros assumidos antes da crise, que agora precisam ser quitados ou rolados para a frente.
Caso recente ocorreu com a Dubai World dos emirados árabes. Mais recente ainda foi o que esta ocorrendo com a Grécia que aumentou seu endividamento para níveis astronômicos, e agora precisa quitá-los. O caso grego é bem grave, pois o endividamento ultrapassa o PIB e representa 112% do PIB de 2009.
O grande temor do mercado financeiro atualmente é que o processo de inadimplência ou de renegociação das dívidas de empresas e países possa deteriorar a recuperação econômica causada pelos estímulos governamentais e leve a um novo período recessivo, o famoso W.
As agências de classificação de risco estão analisando as contas dos países e declarando as suas novas avaliações, ultimamente negativas e causadas pela crise. A última vitima foi a Espanha que teve sua classificação de risco rebaixada.
Acredito que veremos mais desses rebaixamentos ao longo de 2010, colocando a recuperação mundial em risco, inclusive grandes potencias podem aparecer nessas analises, pois foram as que mais gastaram para tentar recuperar suas economias e as que estão em situação mais vulnerável quanto ao cumprimento das regras criadas pelo mercado financeiro para chancelar o boa conduta de receitas e gastos.
O Brasil aparentemente tem condições de escapar dessa nova onda de pessimismo, mas temos que ficar atentos aos gastos públicos que aumentaram mais que a receita, alias a crise e os estímulos econômicos fizeram a receita cair drasticamente, porem o governo continuou gastando com aumentos de salários e etc, prejudicando o resultado final das contas públicas.
Enfim, para 2010, ano de eleição, não devíamos esperar uma performance ortodoxa do governo, mas a situação poderia ter feito um esforço maior para preservar os ganhos obtidos pelos bons ventos antes da crise. Resta saber se escaparemos novamente do pior dos mundos.
